+ Valores na Administração

Administrando no Século XXI

Ainda sobre Líderes?

Posted by Sidnei em 30/12/2010

Realmente é um assunto inesgotável. Um dos líderes, mais fascinantes que se pode ver ao vivo é o nosso técnico da seleção brasileira de volei. Sem dúvida, seu curriculo é de fazer inveja a qualquer outro treinador, de qualquer modalidade. Tudo porque ele tem estratégia, visão de futuro, credibilidade, autoridade, sabedoria e a capacidade de reunir isso tudo e coloca-lá em pratica, além sem dúvida, de sua grande energia de líder.

Segue abaixo, uma entrevista publicada no Jornal O Dia dia 20/12/2010. Percebam nas entrelinhas todas as terorias de livros que serão colocados em prática

 
Bernardinho: ‘Os jogadores foram corajosos’

POR ANA CARLA GOMES

Rio – Bem humorado, Bernardinho diz que fala cada vez mais rápido para correr atrás do seu raciocínio e não se perder. E a cabeça do treinador da Seleção masculina de vôlei e da Unilever já está em 2011, quando a Copa do Mundo do Japão será a prioridade. Mas o comandante ainda fala sobre o ano que está acabando. Prestes a receber, hoje, o prêmio de melhor técnico do ano pelo COB, recorda as conquistas da Liga Mundial e do Mundial da Itália. Nesta entrevista ao ‘Ataque’, conta a votação feita com o grupo para saber se deveria ou não poupar alguns jogadores contra a Bulgária, quando o Brasil perdeu e pegou um caminho mais fácil na terceira fase do Mundial.

O DIA: Qual o balanço que você faz de 2010?
BERNARDINHO: Este ano representa o seguinte: expectativas terríveis daqui para frente. Foi um ano de vitórias muito bacanas, de conquistas. Mas temos que pensar o seguinte: como vai ser aceito o segundo lugar? Depois disso tudo, infelizmente, vamos sair do zero a zero no próximo ano. Depois de tantos títulos, poderiam nos dar uma vantagem, né? (risos).

Mas vocês já estão acostumados à cobrança…
É cada vez maior. A única questão que me preocupa é quando a felicidade com a vitória é substituída pela sensação de alívio. Não é bom. É uma coisa que temos que pensar. Não é que você não fique feliz. Você fica. Mas o sentimento é muito mais de alívio do que de contentamento.É uma preocupação. Não pode ser assim. Não quero que os jogadores passem por isso porque não é saudável, não soma para o futuro, é desgastante.

Por tudo o que você passou — cirurgia no pé esquerdo e lesões dos jogadores —, o título do Mundial da Itália foi o mais difícil?
Foi o mais difícil, sim. Tudo o que envolveu o Mundial foi extremamente difícil. Lidar com todas as críticas e pressões… Num certo momento, fiquei com medo de os jogadores ficarem meio acuados com o que estava acontecendo. Mas eles reagiram muito bem. Tive receio de como os caras iriam reagir a tudo isso, porque era pressão de todos os lados.

Depois de dois meses, como você analisa aquele jogo com a Bulgária?
Não comentei antes porque, se eu digo que houve uma votação para saber se jogaríamos com o time completo ou não, e digo que e eu fui voto vencido, eu estaria dizendo: ‘Eu lavo minhas mãos’. Por isso. nunca comentei. O Chico (dos Santos, assistente dele, que trabalha no Vôlei Futuro) deu uma entrevista lá em Araçatuba e comentou isso. Realmente houve uma votação se iríamos com tudo ou se iríamos poupar alguns jogadores. E a maioria muito expressiva era de que não iríamos partir para o risco. Meu voto era outro. Eu fui convencido — e eu digo hoje ainda bem —, de que eles tinham razão. A gente tinha que poupar alguns jogadores. Era o cúmulo. A gente tinha um jogo menos de 48 horas depois e depois teríamos outra partida. Tínhamos jogadores com lesões. O Murilo tinha problema. Será que o Bruno aguentaria? A decisão foi, na minha opinião, inteligente no sentimento de autopreservação, de indignação com tudo o que estava acontecendo, desde o regulamento até todas as pressões sobre o Brasil, especificamente. Os jogadores foram sábios e corajosos.

A votação foi entre jogadores e comissão técnica?
Todo mundo. Mas, apesar da votação e de eu ter tido um voto que não foi da maioria, a responsabilidade é minha. Quem escalou fui eu. Claro que eu tomo a decisão, mas eu quero ouvir os caras, qual é a opinião deles. É o que a gente chama de senso de propriedade, isso aqui não é meu, é nosso. É o nosso time, é a nossa equipe. Eu sou uma peça da engrenagem, eu não sou um ditador.

E você queria colocar todo mundo para jogar?
O que é uma loucura. Faz parte da minha característica obsessiva, completamente irracional, esse sou eu (risos).

E, para 2011, qual é o planejamento? Já decidiu se vai com força máxima ao Pan de Guadalajara?
Tivemos uma reunião aqui no Rio e essa é uma decisão que a gente não fechou ainda. O Pan é muito próximo da Copa do Mundo. Vamos tentar o tricampeonato da Copa do Mundo, que ninguém tem. E não é só essa questão. A Copa do Mundo classifica para a Olimpíada. É fundamental se classificar com antecipação. A prioridade no ano é a Copa do Mundo. Estamos ainda pensando com que time nós vamos.

Como vê a decisão do Ricardinho de que não jogará mais pela Seleção?
Toda decisão de qualquer atleta eu respeito. A minha opinião sobre isso é que nós o procuramos e conversamos. Ele não quis ir à Liga Mundial, quando tínhamos um tempo para trabalhar, avaliar. Depois, achei que não era o momento de colocá-lo rapidamente ali, seria uma coisa meio atabalhoada. Mas não tem nenhum problema. Tenho visto, ele tem jogado bem. Gostaria que essa reaproximação que começou a ser feita continuasse. É um processo, como qualquer relação humana. Tudo pode acontecer. A vida está aí para isso. Quem sou eu para dizer o que vai acontecer amanhã?


Como analisa o início da Superliga pela Unilever?
Tivemos alguns bons momentos. Contra o Mackenzie, demonstramos carência. Não ter a Mari ainda nos traz limitações. Temos a Dani Lins, que, ao mesmo tempo em que chega um pouco cansada do desgaste do Mundial, ainda voltou sem ritmo porque jogou pouco. A Carol Gattaz voltou a sentir o pé. Um parêntese positivo tem sido trabalhar e conhecer a Sheilla. Poucas atletas têm a qualidade humana dela. Ela é espetacular, está sempre sorrindo, sempre bem, é de uma humildade, um altruísmo inspirador. E olha que eu já estou rodado. São poucas pessoas que me comovem assim. Eu coloco numa mão. E ela está ali

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: